Projeto: Análise do desempenho diferencial de crianças sob regime de inclusão na Prova Brasil, teleavaliação de competências cognitivas e lingüísticas subjacentes ao desempenho nas provas bianuais do Saeb por alunos surdos e ouvintes, e análise de fatores responsáveis pela variação no desempenho

Coordenador: Fernando César Capovilla

Resumo: O desempenho diferencial de crianças portadoras de necessidades especiais incluídas na Prova Brasil, uma avaliação de desempenho para alunos de 4ª e 8ª séries do ensino fundamental elaborada pelo Inep, é analisado nesse projeto coordenado por Fernando César Capovilla, da Universidade de São Paulo. O objetivo é desenvolver baterias de avaliação de competências cognitivas e lingüísticas do alunado surdo brasileiro, além de normatizar e validar essas baterias. Com isso, pretende-se mapear o desenvolvimento das competências dos alunos surdos desde as séries iniciais até o ensino superior. Há a proposta de adaptar as avaliações do Inep (Prova Brasil e Saeb) para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e aplicá-las a uma amostra dos alunos avaliados com a bateria, de modo a descobrir a contribuição relativa de cada competência para o desempenho na Prova Brasil. O estudo é dividido em duas partes: a primeira compara o desempenho no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de diferentes grupos de crianças com deficiências e que estudam em escolas comuns sob regime de inclusão na 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e na 3ª série do Ensino Médio, e analisar o desempenho como função do tipo e grau de deficiência; e a segunda parte trata de "teleavaliar", em amostra de alunos surdos e ouvintes de 4ª série, as competências cognitivas e lingüísticas subjacentes ao desempenho nas provas do Saeb, realizada a cada dois anos, e analisar fatores responsáveis pela variação no desempenho. O eixo temático desse estudo é a educação especial na educação básica.

Crianças surdas têm chance de obter sucesso em escolas comuns, aponta pesquisa

Crianças surdas cuja língua materna é a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) aprendem melhor em escolas para surdos, em meio aos colegas também surdos e professores chamados sinalizadores. Em contrapartida, crianças com deficiência auditiva aprendem melhor em escolas comuns, em regime de inclusão. É o que aponta o projeto de pesquisa coordenado pelo Professor Fernando Capovilla, da Universidade de São Paulo.

De acordo com o pesquisador, há uma diferença crucial entre deficiência auditiva e surdez. Crianças com deficiência auditiva pensam e se comunicam em Português. Isso porque perderam a audição mais tardiamente ou em menor grau. Por outro lado, crianças surdas pensam e se comunicam em Libras, porque perderam a audição de modo profundo e até os dois anos de idade.

Recentemente, o Ministério da Educação (MEC) adotou a política de dupla matrícula, em que a criança surda estuda em escola de surdos em meio turno e, em turno contrário, em escola comum em regime de inclusão. Para Capovilla, esta é a melhor política de educação para surdos. Nela, a escola para surdos desenvolve as competências de que a criança surda precisa para aprender bem na escola comum. Por outro lado, a escola comum funciona como ambiente de inclusão social e campo de prova para indicar à escola de surdos o que ela precisa fazer para que a criança surda se integre completamente.

As pesquisas revelaram que a leitura, a escrita e a aprendizagem da criança surda dependem de procedimentos bem precisos de ensino. Para alfabetizar crianças surdas é preciso adotar duas estratégias complementares. A primeira diz respeito à compreensão das palavras e de sua composição. Para isso, Capovilla e sua equipe publicaram o Dicionário da Libras, que foi distribuído a 70 mil crianças surdas de todos os municípios brasileiros.

A segunda diz respeito à produção da escrita correta, que é atingida fazendo uma ponte entre a escrita e a fala. Para isso, o professor e sua equipe desenvolveram técnicas para ensino de leitura orofacial. A equipe mapeou a competência de leitura e escrita e a compreensão de sinais e da fala de 7.500 crianças surdas de 15 estados brasileiros. Essa base de dados e os instrumentos todos vêm sendo disponibilizados para subsidiar a melhoria da educação de surdos no Brasil.