Projeto: As evidências do SAEB e avaliações correlatas sobre o impacto das estruturas sociais e da organização das escolas e dos sistemas de ensino no desempenho dos alunos da educação básica

Coordenador: José Francisco Soares

Resumo: O trabalho pretende identificar através da análise das informações dos bancos de dados do INEP e das avaliações deles derivadas, a qualidade e a eqüidade de sistemas educacionais e o impacto de fatores sociais e escolares no desempenho dos alunos da educação básica. 

       As estruturas sociais e educacionais e seus efeitos nos alunos da educação básica

A sociedade, a organização das escolas e os sistemas de ensino têm impacto no desempenho dos alunos da educação básica (Ensino Fundamental e Médio). É o que diz o estudo realizado pelo Dr. José Francisco Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base na análise de informações do banco de dados do instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Anísio Teixeira (INEP).

Segundo Soares, a aprendizagem não está restrita apenas a escola. Fatores como a família, a igreja, os clubes, e a própria estrutura escolar tanto na parte de ensino quanto na de gestão fazem diferença no desempenho dos alunos da educação básica.

"Precisamos partir do pré-suposto que é direito do aluno aprender. Tem-se que olhar o aluno por meio da aprendizagem. Precisamos levar em consideração as especificidades de cada escola e o contexto em que os alunos estão inseridos", disse.

A pesquisa mediu a proficiência dos estudantes em relação à matemática e a literatura e revelou resultados sobre a eficácia dos sistemas escolares na construção do processo de aprendizagem.

O Coordenador do projeto diz que a escola tem impacto e pode fazer diferença na vida dos alunos e que essa instituição precisa ser estudada ao avaliar a qualidade de formação de nossos jovens. Ele acredita que a nota que os estudantes tiram na avaliação do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) é influenciada pela família, pela sociedade, pelas secretarias estaduais de educação, e pela própria escola (gestão escolar e ensino). "Os resultados mostram que o desempenho no SAEB está relacionado inclusive ao nível socioeconômico da escola. Essa história de que o aluno deve estudar perto de casa é errada. Ele tem que estudar na escola em que ele se identifica socialmente", disse Soares.

A pesquisa mostra que o Nível Sócio-Econômico (NSE) é um fator fundamental na hora de avaliar os resultados do SAEB e sugere que os indicadores sociais devem ser coletados no momento da matrícula do estudante. Deve haver dados como nível de escolaridade dos pais, renda familiar, endereço residencial etc., pois essas informações ajudam na delimitação do perfil da escola e a relação com a nota obtida no SAEB. "O efeito do nível socioeconômico no coletivo faz mais diferença do que no individual. O efeito da escola na aprendizagem é concreto, não faz revolução, mas faz diferença. A escola pode aumentar ou mediar o nível de aprendizagem", enfatiza o Professor.

Ao analisar dados de escolas públicas e privadas da educação básica, a pesquisa mostrou que ao analisar os índices de aprendizagem levando-se em consideração as diferenças étnicas, não há diferenças entre brancos e pardos, mas para os negros há. "Precisamos de políticas públicas que levem em consideração a questão racial", destacou Soares.

Segundo o Pesquisador, o problema de se pensar essas políticas é uma questão estrutural. "A crise é de aprendizado. É a falta de pessoas que pensem na educação escolar. A comunidade de pensadores é pequena e restrita. Precisamos incluir mais programas de Pós-Graduação em Educação", finalizou ele.