Projeto: Formação continuada em Biociências através de Cursos de Férias: desenvolvimento, avaliação e expansão de uma proposta inovadora

Coordenador: Andréa Thompson Da Poian

Resumo: O projeto se propõe a produzir conhecimento e intervir no processo educativo do sistema formal de ensino através: do desenvolvimento de propostas didático-pedagógicas que formem um novo educador apto ao manejo crítico do conhecimento, capaz de estar à frente dos desafios educacionais do terceiro milênio; e de ações inovadoras para professores e estudantes pela viabilização de uma nova perspectiva de ensino-apredizagem centrada no processo de trabalho interativo, da prática multiprofissional e da produção real de conhecimento. Espera-se que, ao término dos quatro anos do projeto, cerca de 250 professores da educação básica e 40 pós-graduandos estarão aptos a se tornar agentes multiplicadores do projeto educacional proposto.

Formação em Biociências

Condição basilar para as Ciências é pensar hipóteses e realizar experiências para confirmar ou não a sua veracidade. Então, como ensinar Ciências sem fazer experimentos, ou seja, sem vivenciar esse processo?

Para um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro essa era uma questão fundamental a ser resolvida. Assim, desenvolveram o projeto "Formação continuada em biociências através de cursos de férias: desenvolvimento, avaliação e expansão de uma proposta inovadora"que, desde 1985, dissemina uma nova forma de apresentar as Ciências aos professores da Educação Básica e estudantes do Ensino Médio.

O objetivo desses cursos é desenvolver uma visão da prática científica a partir da vivência e reflexão sobre o cotidiano do ambiente científico e enfatizar o papel do pensamento científico na geração de conhecimento.

Como um dos resultados dos cursos de férias, foi a criação de uma área de concentração em "Educação, Difusão e Gestão em Biociências" vinculada ao Programa de Pós-graduação em Química Biológica, onde atua este grupo de pesquisadores. Desde sua criação, em 1995, até hoje, 24 dissertações de mestrado e 17 teses de doutorado já foram defendidas, além da participação de estudantes do Ensino Médio nos programas de iniciação científica e em um programa de apoio a jovens da baixa renda através de sua vinculação a laboratórios de pesquisa, o "Programa Jovens Talentosos".

O sucesso dos cursos revelou a necessidade de ampliar para outros estados a experiência. Assim, a ampliação aconteceu tanto no Estado do Rio de Janeiro, pois a procura pelos cursos oferecidos na UFRJ era muito superior ao número de vagas ofertadas, como no Estado do Pará, para as populações ribeirinhas. Neste último, estão sendo desenvolvidos recursos didáticos usando seres vivos pertencentes à fauna e flora da Amazônia. "Os livros didáticos apresentam animais fora da realidade dos alunos", o que acaba por diminuir o interesse pela disciplina, ressalta Andréa da Poian, coordenadora da pesquisa. Como resultado, mais de 3 mil pessoas já participaram dos cursos, entre alunos e professores. Além disso, a partir da ferramenta virtual Constructore, desenvolvida pelo NUTES, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi construída uma atividade destinada à instrução dos monitores dos cursos de férias, com os cursos disponíveis on line.